Itinerário II

Lalim - Lamego, Serra das Meadas, Peso da Régua, S. Leonardo de Galafura-Lalim

Extensão aproximada: 90 km

O percurso de hoje inicia-se na cidade de Lamego, uma das primeiras a tornar-se sede de Bispado em Portugal. É um centro de cultura e património onde acorrem milhares de visitantes, merecendo particular referência e visitas cuidadas, entre outras, à Sé Catedral (sec.VI), à Igreja de Almacave (sec. XII), ao Castelo (sec. XII/XIII), à Capela de S. Pedro de Balsemão (sec. VII) ao Museu Nacional de Lamego e ao Santuário e Escadório de Nª Sr.ª dos Remédios.
Ainda que de forma muito reduzida, vejamos o que de mais importante encerra cada um daqueles monumentos.

Sé Catedral

As origens da catedral lamecense remontam ao século VI, muito embora a presente constru-ção date dos inícios do século XVI. Do anterior edifício românico, cuja frontaria foi substituída por uma de estilo gótico flamejante, restou apenas a parte inferior da torre sineira (pedras sigladas, janelas com capitéis decorados por palmetas). A fachada, construída entre 1508 e 1515, sob a responsabilidade de João Lopes, coadjuvado por João Vargas e João Pamenes, é dominada pelo janelão manuelino e pelo triplo pórtico ogival, decorado por motivos platerescos, vegetalistas e historiados, onde se representam a alegoria do Inferno (portal norte) e a alegoria do Triunfo dos Justos (portal sul).
 O Claustro, quinhentista, composto por seis arcos de volta perfeita em cada galeria, com colunas oitavadas, merece destaque pelas suas capelas dedicadas a S. Nicolau, Sto. António e S. João. É de salientar ainda o excelente gradeamento de ferro forjado, atribuído ao serralheiro Dio-go Fernandes.
O interior da igreja, do século XVIII, é obra de Nicolau Nasoni, autor das pinturas que decoram parte da nave central e das naves laterais e que retratam cenas do Antigo Testamento

Igreja de Almacave

Igreja românica - provavelmente reedificada no século XII -  terá, segundo o folclore popular, sido erguida perto de um cemitério islâmico, ou sobre um antigo cemitério cristão ou muçulmano, como parece comprovar o seu nome Almacave, etimologicamente ligado ao vocábulo árabe “macab”, que significa “recinto dos mortos” ou “campo santo”.
Segundo a tradição, foi nesta igreja que, sob as ordens de D. Afonso Henriques, se reuniram, entre 1142 e 1144, as primeiras cortes portuguesas, onde ficaram estabelecidas as normas da sucessão dinástica.
Não obstante as múltiplas alterações que sofreu, subsistem alguns elementos que a enqua-dram na arquitectura medieval da região: o pórtico principal, de arco levemente apontado; o pórti-co lateral, de traça semelhante, embora mais simples; e a torre quinhentista.

Castelo

Da estrutura defensiva medieval, edificado entre o final do século XII e o início do século XIII, resta apenas a torre de menagem, as portas dos Fogos e do Sol, alguns panos da muralha e a cisterna abobadada, um dos poucos exemplares românicos em Portugal, notável pelas suas dimensões e qualidade de construção.
Penetrando pela Porta dos Fogos, também conhecida por Porta dos Figos ou da Vila, irá per-correr ruas estreitas, animadas por um casario pitoresco que em muito lembra a estrutura primitiva da cidade medieval.

Capela de S. Pedro de Balsemão

Igreja pré-românica do século X - embora haja quem lhe atribua origem visigótica -  viu o seu exterior sofrer profundas modificações no século XVII, que não permitem reconhecer, de imediato, o valor desta jóia da arquitectura nacional.
De planta longitudinal, este edifício está estruturado em três naves separadas por arcaria de volta perfeita, com capitéis coríntios. As obras de remodelação, levadas a cabo em 1643, pelos viscondes de Balsemão, atingiram também o interior onde foi rasgada uma tribuna de comunica-ção com a casa. Dentro do espólio destaca-se uma imagem do século XIV, representando uma Nossa Senhora do Ó e a arca tumular do bispo do Porto, D. Afonso Pires.


Museu de Lamego

O Museu de Lamego é um edifício do século XVIII que se encontra instalado no antigo Paço Episcopal localizado na baixa da cidade, zona onde se concentrava o poder eclesiástico e nobre.
Do largo espólio do Museu salientam-se as peças da Época Medieval, estando ali guardadas três esculturas do século XIII, provenientes da igreja de S. Pedro de Balsemão: um S. Pedro e um S. Paulo, em madeira, e uma virgem com o Menino. Do século XIV conservam-se duas represen-tações de Nossa Senhora – Nossa Senhora do Ó ou da Expectação -, imagens em calcário, que representam a Virgem grávida.
O conjunto mais antigo é composto por duas pias de água benta, do século XII. Do século XIV há a considerar uma pedra esculpida com as primitivas armas do concelho; uma arca tumular que se diz ser de Dª Branca, mulher do conde D. Pedro e o Cruzeiro do Bom Despacho.

Santuário e Escadório de Nª Sr.ª dos Remédios

O Santuário dos Remédios, cuja origem remonta ao século XIV, quando o bispo D. Duarte ali mandou erigir uma capela a Santo Estêvão, é composto por diversas estruturas que se distribuem pela mata do monte com o mesmo nome e onde é possível encontrar espécies de grande valor botânico. Embora a tradição atribua a sua autoria a Nasoni, há quem defenda que a obra pertence aos portugueses André Soares e Figueiredo Seixas.
Do conjunto barroco, iniciado na segunda metade do século XVIII, destaca-se o monumental escadório formado por lances convergentes e divergentes, onde estão colocadas fontes e cape-las, salientando-se a fonte do Pelicano, o Pátio dos Reis ou dos Gigantes e a Sagrada Família.
A igreja, com uma estrutura típica de peregrinação, tem, no seu interior, altares em talha roco-có e a imagem seiscentista da padroeira, trazida de Roma pelo bispo D. Manuel de Noronha. A Santa está entronizada no altar-mor, num retábulo de talha dourada, cujo risco se deve a Fr. José dos Santos Vilaça.
As festividades em honra de Nossa Senhora dos Remédios – A Romaria de Portugal - , que se realizam em Setembro, têm o seu ponto alto no dia oito daquele mês, com a realização duma imponente e majestosa procissão composta por centenas  de figurantes e de andores puxados por juntas de bois, caso único no país.


Depois desta agradável visita pela cidade de Lamego e como forma de retemperar forças, nada melhor do que um contacto com a natureza através duma breve deslocação à Serra das Meadas. Aqui, para além de podermos desfrutar duma vista panorâmica sobre a cidade e de observar o belo e inigualável serpentear do Rio Douro junto à cidade da Régua, teremos ainda oportunidade de visitar o Parque Biológico e o Parque Eólico.
De volta a Lamego, rumamos à A 24 no sentido do Peso da Régua ou, em alternativa, opta-mos pela estrada que atravessa a povoação de Cambres, e que, embora sinuosa, nos permitirá o primeiro contacto com as magnificas paisagens do Douro Vinhateiro.
Na Régua, cidade-capital do Douro e do Vinho do Porto, merece especial destaque o Museu do Douro, sem esquecer a paz e o conforto que nos é transmitido por um breve passeio a pé ao longo da margem direita do rio.
Após a visita à capital duriense e para que possamos terminar o dia com uma “sensação de paz, uma paz que brota da rudeza das pedras e do silêncio das cercanias” propomos  uma visita a S. Leonardo de Galafura, local que tanto fascinou Miguel Torga. Por isso, nada melhor do que uma pequena citação do “Diário XII”, do autor dos Contos da Montanha:
“ O Doiro sublimado. O prodígio de uma paisagem que deixa de o ser à força de se desmedir. Não é um panorama que os olhos contemplam: é um excesso da natureza. Um universo virginal como se tivesse acabado de nascer, e já eterno pela harmonia, pela serenidade, pelo silêncio que nem o rio se atreve a quebrar, ora a sumir-se por detrás dos montes, ora pasmado lá no fundo a reflectir o seu próprio assombro. Um poema biológico. A beleza absoluta”.


Exausto,  “mas em paz”, regresse à Quinta do Terreiro e retempere as suas forças…

QUINTA DO TERREIRO
5100-550 Lalim
Lamego - Douro - Portugal
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